São Paulo, setembro de 2008

 
FERRAMENTAS DE GERENCIAMENTO DE RISCO
E OS ENGANOS DO SETOR
Telemonitoramento móvel ativo gerencia risco
e check point serve para logística

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Por Pedro Tavares

O mercado convive há muito tempo com o serviço de gerenciamento de riscos, que está sempre se modernizando com novos sistemas e ferramentas para atender as necessidades das seguradoras e clientes no combate ao roubo de cargas.

O segmento é cada vez mais competitivo, mas as empresas homologadoras não parecem preparadas para reconhecer as vantagens do telemonitoramento móvel em relação ao check point. As seguradoras, dessa forma, deixam de diferenciar as vantagens de um serviço sobre o outro.

O vice-presidente da Pool Seguros, Mário Velloso, explica que o telemonitoramento móvel ativo, especialidade e exclusividade da Sedron Logística de Segurança, empresa do grupo Pool, é uma ferramenta que ainda tem uma certa eficiência contra o roubo de cargas.

“Com o telemonitoramento móvel ativo, as operações de transporte de cargas são monitoradas em tempo real, por meio de ligações aos diferentes motoristas de um comboio de até três caminhões”, reforça.

Funciona assim: de hora em hora, mais ou menos, o profissional responsável pelo gerenciamento liga para o celular de um dos caminhoneiros, verificando posição e percurso do comboio.

“Fator surpresa”

Mário destaca o “fator surpresa” como um dos pontos primordiais para a confiabilidade e eficácia do telemonitoramento móvel ativo. “O motorista do caminhão nunca sabe a hora exata da ligação, nem para qual dos caminhoneiros do comboio vamos ligar naquele momento”, acrescenta Mário.


Além disso, o motorista não precisa parar em nenhum lugar para realizar uma ligação.
“Até no caso do caminhoneiro perceber que está sendo seguido, ele é orientado para informar essa suspeita à gerenciadora de risco, que vai tomar as providências necessárias”, explica Mário.

Ao analisar com mais rigor as operações que usam o check point, fica claro que suas ferramentas e metodologia não são tão eficientes para coibir o roubo de cargas, embora sejam eficientes para logística.

Em primeiro lugar, o caminhoneiro precisa parar periodicamente em postos de gasolina para ligar e informar sobre sua posição, percurso e previsão da parada seguinte. A situação em si expõe a carga a elevados níveis de risco. É inegável que o risco de roubo aumenta quando o veículo está parado, sendo crítico o momento de reinício de uma viagem.

“O check point não consegue evitar o assalto à mão armada. Se ele estiver em movimento, sendo seguido, pior ainda se parar em algum lugar, o que facilita ainda mais o roubo”, aponta Mário.

Em outras palavras, o check point é um método passivo, porque o próprio motorista é que tem de ligar para passar as informações. Se ele não telefonar, a falta de informações se transforma em indício de delito - e mal se pode saber o destino do caminhão, nem do caminhoneiro.

Acrescente-se a isto que a esmagadora maioria dos caminhoneiros são avessos a ficar cumprindo essas regras de ligar, acaba-se não tendo o apoio de quem poderia combater o roubo, que é a policia, pois em todas as viagens ocorre essa falta de contato e se todas as suspeitas forem comunicadas a polícia, a gerenciadora acaba caindo em descrédito junto a policia.

Conjunto de ações

Na verdade, o gerenciamento de riscos envolve uma série de outras ações, não somente aquelas destinadas a se evitar o roubo de cargas. Mário menciona que é necessário, inclusive, orientar o transportador sobre as condições do veículo, estado dos pneus, enlonamento, além da amarração correta para evitar o tombamento da carga. 

O transportador também deve estar ciente da importância da seleção correta dos seus profissionais, investigando a vida pregressa deles, não só do motorista, mas do gerente operacional e do responsável pelo depósito, além de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, vão manipular a carga.

A parte documental do caminhão e do caminhoneiro também é de suma importância para evitar que, numa blitz, o caminhão fique parado e a carga se perca, causando prejuízos irreparáveis ao cliente. “Nós não liberamos operações sem a certeza da documentação regular do veículo e do proprietário”. São vários os casos de veículos com mandato de busca e apreensão, destaca Mário.

Depois de todas essas verificações, ainda é possível usar dispositivos de rastreamento

no caminhão e/ou na carga (o chamado “vírus”, que fica escondido no meio da mercadoria e pode dar a localização do carregamento se o sistema de rastreamento do caminhão for desativado).

Para cargas de maior valor e importância, Mário lembra que a Sedron ainda pode agregar à operação os serviços de escolta armada ou velada.

Sem diferenciação

Apesar das vantagens descritas do telemonitoramento móvel ativo sobre o check point – e tendo em vista o conjunto de ações que envolvem um bom gerenciamento de riscos – as empresas que homologam parecem não levar nada disso em conta.

Na opinião de Mário, as seguradoras contratam empresas para homologar os serviços de gerenciamento de riscos, mas de uma forma que não há qualificação e muito menos diferenciação entre empresas realmente preparadas no segmento. Normalmente a pessoa responsável pela vistoria na gerenciadora de risco, não passa mais do que uma hora fazendo a verificação. Um trabalho sério dentro de uma gerenciadora de risco não pode ser feito em tão pouco tempo.

“Tudo é homologado como telemonitoramento, sem distinção. O certo seria que a seguradora homologasse o serviço, de acordo com o tipo de carga e necessidade de cada cliente. Por exemplo, se a operação precisa de rastreamento, estaria habilitado quem pode suprir essa necessidade. E se esta gerenciadora não cumprir o Plano de Gerenciamento para o qual foi contratada, com a aprovação da seguradora, cabe a seguradora, em caso de perdas, indenizar ao seu cliente e buscar o ressarcimento junto a gerenciadora”, argumenta.

Mário reforça que esta homologação das seguradoras é meio incoerente, pois o serviço de gerenciamento é pago e prestado ao segurado. “Oras, restringir a aceitação de uma, ou de outra gerenciadora, creio ser até inconstitucional. Seria o mesmo que a seguradora passasse a homologar com qual posto o segurado deve abastecer seus veículos, ou qual fabricante de pneus deve usar”.

"Além disso ao homologar esta, ou aquela gerenciadora, a seguradora pode estar incorrendo em um grave erro, pois dá de fato o aval de todos os serviços e para toda e qualquer operação. Veja por exemplo, recentemente (veja notícia) um funcionário de uma gerenciadora fazia parte de uma quadrilha de roubo de cargas e esta gerenciadora é homologada em várias seguradoras. Independente da responsabilidade dos dirigentes da gerenciadora, qual seguradora quer ter em seu quadro esta gerenciadora homologada?"

Ele conclui: “Se a seguradora aceita o check point como ferramenta de gerenciamento de risco e homologa todas as empresas da mesma forma, o mercado acaba privilegiando quem investiu pouco ou quem não está tão preparado para coibir efetivamente o roubo de cargas”.

 


 



 
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