São Paulo, outubro de 2008

 

Carteira de Transportes apresenta desafios para o mercado segurador
Poolnews vai ao 13o Conec (Congresso Nacional dos Corretores de
Seguros) e traz o diagnóstico do segmento aos leitores

Por Pedro Tavares

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A Pool Seguros tem como carro-chefe o seguro de Transportes, trazendo diariamente a garantia para mais de 600 viagens por todo o país.

A dimensão dessas operações leva a empresa a investir continuamente em informação qualificada para clientes e parceiros, visando contribuir para o desenvolvimento das atividades, processos e negócios que envolvem seguradoras e corretores.

Essa é a missão do Poolnews. E por isso a reportagem do periódico foi a campo para acompanhar a palestra sobre seguro de Transportes do 13o Conec - Congresso Nacional dos Corretores de Seguros - realizada no dia 03 de outubro no Anhembi, com Artur Santos, diretor de Negócios Corporativos da Mapfre Seguros e Darcio Centoducato, diretor de Gerenciamento de Riscos da Pamcary, sob coordenação de Ralpho Sarubbi do Sincor-SP.

Mais sinistralidade, menos prêmios

Na abertura de sua apresentação, Artur afirmou que “a carteira está com algumas dificuldades, entretanto não há mal sem solução”.

Considerando o comportamento dos negócios nos últimos três anos, ele projetou tabelas para mostrar como o volume de prêmios teve crescimento pouco expressivo (7,6% em 2007 e 10,8% em 2008), em comparação com os demais ramos – para ficar em alguns exemplos, Vida e Previdência apresentam desempenho acima dos 20% nos últimos dois anos.

Sobre a evolução da taxa de sinistralidade, Artur revelou que a porcentagem vem oscilando desde 2002, mas nos últimos quatro anos a curva é ascendente, partindo de 60% para 70%.


Em paralelo, o roubo de cargas voltou a assombrar o segmento com o aumento consecutivo do volume de ocorrências, citando somente as ocorrências no estado de São Paulo - passando de 6.027 (em 2006) para 6.192 (em 2007) e, por enquanto, chegando a 3.098 (até junho de 2008).

A conclusão de Artur é que as margens da carteira estão abaixo do esperado para operações rentáveis e que, de forma geral, “elas não pagam nem as despesas administrativas”.


Diagnóstico

Os números comprovam as dificuldades financeiras atuais e Artur enumerou uma série de problemas operacionais da carteira.

Entre os principais, estão as “cotações com subscrição predominantemente comercial”, que levam a pressões para redução exagerada do prêmio frente à sinistralidade, sub-limites maiores (valores estabelecidos para que os sinistros sejam pagos sem exigência de gerenciamento de risco) e maior concentração de mercadorias por veículo (que torna cada sinistro mais prejudicial).

Ele também lembrou as falhas no atendimento a sinistros – tanto a demora na regulação, quanto a freqüente utilização da Cláusula de Destruição.

Sobre a Cláusula D.D.R., o palestrante concorda que há diminuição da arrecadação de prêmios para transportadores, enquanto que os embarcadores convivem com cobrança de adicional insuficiente.

O resultado é um mercado com poucas seguradoras (as cinco maiores têm 50,19% de market share e as 10 maiores, 83,13%), resultando em baixa concorrência e, por tabela, baixo nível de investimento e menor grau de desenvolvimento dos produtos e serviços.

Apesar da abordagem negativa, Artur desafiou os corretores presentes a perceberem o lado positivo de toda essa história. “Diante de tantos problemas, vocês podem enxergar ameaças, mas também oportunidades”, enfatizou.

Ou seja, se é evidente que faltam corretores especializados, a profissionalização é um dos caminhos para buscar o sucesso no segmento.

Processo estruturado

A segunda parte da palestra teve a participação de Darcio Centoducato, da Pamcary, que abordou o conceito de gerenciamento de risco, como é implantado e suas vantagens.

De acordo com Darcio, gerenciamento de risco “é um processo estruturado que enfrenta as ameaças existentes, de maneira eficaz e eficiente, de forma a manter o risco sob controle e em níveis aceitáveis”.

A administração de riscos se torna, dessa forma, fator crucial para que as empresas possam evitar o pior problema decorrente de suas atividades: o dano à reputação.

No transporte de produtos perigosos, esse risco aumenta, ainda mais que a estatística aponta para 95 mil acidentes com cargas por ano que matam 8 mil pessoas no Brasil.

Darcio ressaltou que o bom gerenciamento de risco se faz com a tecnologia apropriada, mas que é preciso otimizar os investimentos e, portanto, não adianta usar caminhões com rastreador para transportar produtos pouco visados.

Para convencer os clientes da importância de adotar o gerenciamento de risco com monitoramento, Darcio falou que é preciso demonstrar que os recursos disponíveis, além de proteger as cargas, ajudam a manter todos os caminhões produtivos, pois qualquer parada é avisada pelo sistema.

É também uma forma de colocar o melhor motorista (porque há sempre pesquisa da vida social, econômica e criminal do condutor), a serviço do melhor cliente, a fim de transportar a carga mais valiosa.

Para completar, o gerenciamento de risco custa menos de 1% do faturamento, enquanto a logística chega a custar de 8% a 12%.

Concluindo, Darcio deu o exemplo da Unilever, que adotou as ferramentas de gerenciamento de risco e “capturou ganhos da ordem de R$ 11 milhões em um ano”.

 
 
 
 
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