Presidente da NTC&Logística defende política nacional de renovação de frota

Em discurso proferido durante a abertura da 16º FENATRAN, ontem, no Anhembi, com as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e de lideranças governamentais, da indústria automobilística e do transporte de cargas, o presidente da NTC&Logística, Geraldo Vianna, defendeu a renovação da frota. Confira a íntegra do discurso:

"Muito obrigado pela presença de vossa excelência, e de todas as autoridades e pessoas amigas que aqui estão, garantindo o alto astral da nossa FENATRAN.

Esta FENATRAN está ainda maior e melhor que a última, de 2005, na qual também tivemos a alegria de contar com a presença de vossa excelênica.

Aliás, esta FENATRAN 2007 é bem a cara do brasil de hoje, como vossa excelência deve ter notado em cada stand e no semblante das pessoas: muito otimismo, muita esperança – mais do que esperança, confiança nos destinos do país.

Afinal, somos um país

· que já é a 9ª ou a 10ª economia do mundo, dependendo do critério de aferição do pib – se em dólares correntes ou em paridade de poder de compra;
· que está a um passo de saltar para a 7ª ou 8ª colocação em ambos os critérios;
· que tem a 5ª extensão territorial, a 5ª população, a 6ª frota de veículos;
· que já domou a inflação e está conseguindo reduzir bastante suas taxas de juros;
· que é auto-suficiente em petróleo e está na liderança mundial em bio-combustíveis;
· que praticamente já não tem dívida externa e consegue produzir superavits primários para servir a dívida interna;
· que, além de tudo, é uma das maiores democracias do mundo.

Vivemos, sem dúvida, um momento mágico.

A atividade econômica, em quase todos os setores, cresce como há muito não se via.

Tudo indica que estamos iniciando um novo ciclo de desenvolvimento econômico – firme, consistente, sustentável.

Sobre a produção e venda de caminhões, o amigo Jackson Schneider com certeza falará aqui com muito mais conhecimento e autoridade do que eu.

M1as, falando pelo lado dos que compram os caminhões e todos os demais produtos e serviços que são exibidos nesta feira, preciso dizer – se me permitem a obviedade – que o transporte, sendo uma atividade derivada, depende visceralmente do desempenho da indústria, do agronegócio, do comércio – doméstico e internacional, enfim, de todas as atividades que geram a carga que nós transportamos.

Se elas vão bem, o transporte também vai muito bem.

Se elas vão mal, o transporte vai muito mal.

Como acontecu, aliás, durante todos esses anos em que o nosso país andou de lado ou crescendo muito pouco.

A nossa frota de caminhões, com idade média de quase 20 anos, é a fotografia em preto e branco desse longo período de crescimento medíocre.

Há muito caminhão de 35 a 40 anos rodando por aí.

É imprescindível renovar essa frota, criando incentivos fiscais semelhantes aos que foram concedidos aos táxis.

E não só finaciando a compra de caminhões novos, mas criando mecanismos de sucateamento dos caminhões muito velhos, num processo regulamentado e fiscalizado que, entre outras muitas vantagens, terá a de estreitar o campo de atuação da criminalidade que se desenvolve ao redor dos desmanches, combatendo também o roubo de veículos e cargas.

Caminhões velhos, ao lado de estradas ruins e das práticas condenáveis que emergem de um mercado excessivamente competitivo – como o excesso de peso nos caminhões; o excesso de tempo de direção, muitas vezes à base do conhecido “rebite”; o excesso de velocidade nas estradas boas, para compensar o tempo perdido nos trechos ruins; tudo isso somado, senhor presidente, mata gente. e, infelizmente, muita gente!

Das 35 mil pessoas que morrem por ano na guerrra do trânsito – um absurdo, uma vergonha que eu sei que é a principal preocupação do nosso competente diretor do denatran, Dr. Alfredo Peres, aqui presente – mais de 8 mil morrem em acidentes envolvendo caminhões.

E cerca de um terço dessas vítimas fatais são os próprios motoristas de caminhão.

Esses números vêm sofrendo discreta redução ao longo dos anos, mas num ritmo muito lento para o tamanho do problema.

É presciso atacar mais duramente todas as causas de acidentes: estradas ruins, caminhões velhos, motoristas despreparados e cansados, práticas condenáveis.

É justo que se reconheça e se agradeça ao presidente lula, e ao seu governo – o que faço aqui, com muita alegria –, alguns avanços extraordinários nessas questões.

Assim, a promulgação de duas leis: a lei complementar nº 121, de 2005, que, ao lado da atuação admirável da polícia federal, manteve o roubo de cargas em níveis declinantes, embora ainda preocupantes.

E a lei nº 11.442, de 2007, que deve dar início à regulação da nossa atividade, a cargo da antt, com o quê as distorções decorrentes da competição selvagem, a que eu já me referi, devem ser eliminadas ou, pelo menos, reduzidas.

No âmbito do ministério dos transportes, voltamos a conviver com uma atividade que estava proscrita há muitos anos: o planejamento de médio e longo prazos.

O PNLT - “Plano Nacional de Logística e Transporte” procura enxergar 20 anos à frente.

E o PAC – “Plano de Aceleração do Crescimento”, que deu grande atenção ao setor de transportes e, sem dúvida, foi uma declaração de que este governo não vai permitir que se instale o apagão logístico.

Todos sabemos que os planos, por si, não resolvem os problemas.

Mas indicam caminhos e mobilizam os meios.

Além disso, partir para ação, numa área tão complexa como a dos transportes, sem um mínimo de planejamento, na base da improvisação, é jogar dinheiro fora.

Felizmente, essa fase acabou.

No que diz respeito à infra-estrutura, não é possível deixar de comemorar e saudar, também, o resultado espetacular do leilão das concessões rodoviárias, realizado há poucos dias.

Graças aos esforços do governo e à coragem de recuar da decisão anterior de cobrar ônus de outorga, atendendo aos reclamos do nosso setor;

Graças a uma modelagem mais realista e bem feita, inclusive no tocante ao número e à localização das praças de pedágio, o que reduz bastante os casos de tráfego não tarifado (como acontece na via dutra por exemplo, em que apenas 10% dos veículos que nela trafegam pagam pedágio);

Graças á forte redução da taxa interna de retorno, para torná-la mais compatível com os atuais níveis de inflação, de juros, de risco brasil, de risco regulatório, enfim, para adaptá-la a esses novos e promissores tempos que estamos vivendo;

Graças a tudo isso e à grande competição que acabou se estabelecendo, obteve-se, na média dos sete lotes, tarifas por quilômetro que são quase metade das que foram estabelecidas como teto no edital; que são cerca de um terço das praticadas nos trechos da primeira etapa federal, que já tem mais de 10 anos; que representam uma redução de mais de 70% em relação aos pedágios do estado de são paulo, por exemplo.

E as empresas vencedoras são grandes e são do ramo. não são aventureiras.

Quer dizer: vamos ter, finalmente, em prazo curto e com toda a certeza, a recuperação – e a manutenção em bom estado, por 25 anos, pelo menos – de rodovias importantíssimas, como a Fernão Dias, a Régis Bittencourt, o trecho paulista da BR-153 (que estava literalmente acabada), a BR-101, no Sul e no Rio de Janeiro.

E vamos obter isso a tarifas de pedágio bastante palatáveis, que, nos níveis a que chegaram, não assustam ninguém e garantem aos usuários das vias, principalmente aos caminhões, uma excelente relação custo–benefício.

Senhor presidente, não sou analista econômico, nem muito menos analista político, mas desconfio que este golaço, marcado pela sua equipe, no último dia 9 de outubro, será lembrado para sempre como uma das principais realizações do governo de vossa excelência.

Entre outros motivos, porque abrirá o caminho para novas concessões e parcerias público-privadas, não só no setor de transporte, mas em outras áreas em que temos carências imensas e que se oferecem como grandes oportunidades de investimentos a quem estiver disposto a acreditar no brasil.

Eu disse, no começo, que o transporte depende do resto da economia para crescer e se desenvolver.

Falta dizer que a recíproca é verdadeira.

Não há atividade econômica próspera, competitiva, dinâmica, moderna sem um transporte que tenha estes mesmos atributos.

Esta FENATRAN mostra, mais uma vez, que, felizmente, por parte do setor privado, há esta disposição.

Pelo lado do governo, basta acelerar e aprofundar o que, na maior parte dos casos, já vem sendo feito:

· prover o país de infra-estrutura adequada ao tamanho da nossa economia;

· criar regras claras e estáveis que estimulem o investimento privado, tanto na infra-estrutura quanto na operação;

· não descuidar da fiscalização, porque regras que não são fiscalizadas acabam agravando a concorrência desleal;

· criar um fluxo firme de financiamento, a prazos longos e juros baixos;

· reduzir e descomplicar a carga tributária.

Feito isso, senhor presidente, o Brasil não terá no transporte e na logística qualquer entrave ao seu desenvolvimento econômico e social.

Os países mais desenvolvidos são exatamente os que têm as melhores infra-estruturas de transporte.

Mas não as tem porque são ricos.

Antes, são ricos – e socialmente mais justos – porque cuidaram de implantar, em tempo hábil, uma boa infra-estrutura.

O transporte vem sempre na frente. e ajuda até na distribuição de renda, na mobilidade das pessoas e na mobilidade social.

Países e regiões que têm bom transporte têm preferência dos investidores estrangeiros; crescem antes e crescem mais.

Esta FENATRAN é a fotografia colorida deste grande esforço, senhor presidente.

Do nosso esforço para recuperar o tempo perdido, com o apoio do seu governo.

E aqui, hoje, com o apoio da sua presença e do seu entusiasmo.

Por tudo isso, mais uma vez,

Muito obrigado."

Geraldo Vianna, presidente da NTC&Logística.


Fonte: NTC&Logística - 15/10/2007