As filas de espera se estendem até maio para o segmento de caminhões pesados. A Fenatran, o Salão Nacional do Transporte que abre nesta segunda-feira e se estende até o dia 19 terá fartura de expositores, 352, recorde em três décadas do evento. Montadoras de caminhões e de implementos que ocupam os maiores espaços nos 78 mil m2 totais do Anhembi, em São Paulo, por certo trazem algumas novidades, mas não podem festejar em demasia.
"Em alguns casos, como o mercado de São Paulo, as filas de espera se prolongam até maio de 2008", diz Bernardo Fedalto, executivo que dirige a área de caminhões pesados da Volvo do Brasil. "Importamos alguns componentes do câmbio e do eixo da matriz, na Suécia, que, devido ao mercado mundial aquecido, não pode atender o que precisamos. Conclusão: estamos perdendo 20% de negócios, mesmo com o recorde que teremos neste ano".
Implementos - Os dois principais expoentes na fabricação de implementos para o transporte rodoviário de cargas, Randon e Guerra, de Caxias do Sul (RS) estão com as vendas de reboques e semi-reboques fechadas para o ano. Aparentemente, não haveria motivação para abrir os seus estandes hoje na Fenatran, em São Paulo. A sensação, no entanto, segue o sentido contrário: além da presença institucional, elas pretendem aproveitar bem o espaço para receber clientes, fornecedores e, claro, fechar mais negócios - desde que o comprador concorde em receber os pedidos em 2008. "A fábrica está lotada. Em algumas áreas estamos trabalhando 24 horas por dia", conta o diretor executivo da Randon, Norberto Fabris. No momento ele se debruça para resolver a questão de fundidos, gargalo que aparece sempre quando a economia bate seus limites. "Vamos fechar este ano com 20,3 mil unidades, ante 15,6 mil o ano passado", complementa o executivo. Ou seja, aumento de 30%.
O setor de implementos se encaminha para ultrapassar a barreira histórica de 40 mil unidades produzidas. Em valores, deve movimentar cerca de R$ 2 bilhões. O patamar de referência, até agora, eram 30 mil unidades anuais. "Para 2008, a perspectiva é acréscimo de 6%, para 43 mil reboques e semi-reboques", prevê Fabris. O prazo para entrega de tanques de inox e de basculantes da Randon é para metade do próximo ano.
Na Guerra, o prazo sugerido pelo fabricante para os mesmos produtos é março. Conforme Marcos Guerra, a previsão é fechar 2007 com a produção de 8 mil equipamentos, volume que corresponde a mais de 30% sobre o total registrado no ano passado. "A primeira sensação de ir para a feira com tudo vendido é ótima, mas em contrapartida fica a frustração de não poder atender a demanda do cliente. Isso complica", diz o empresário.
Marcos Guerra explica que atingiu o máximo da capacidade com a estrutura que possui hoje. "Não fosse os investimentos realizados em 2006 no projeto de modificação da linha de montagem não teríamos dificuldades hoje para arrancar", explica, salientando a possibilidade de escassez de caminhões para o primeiro semestre de 2008. "Quem se programou vai receber. Os outros vão enfrentar dificuldades."
Guerra também trabalha com a hipótese de encaminhar novos negócios na Fenatran, mas observa que ao estabelecer o preço fechado pretende incluir uma cláusula de ajuste futuro, em função de eventuais elevações do custo de produção determinado por aumentos de algumas matérias-primas. Em 2004, a empresa chegou perto de 8 mil implementos. "Para 2008 a idéia é ter um crescimento de 10%", informa.
Em termos de novidade, nada espetacular. A Guerra fará a apresentação do primeiro bitrem tanque do País já adaptado tecnicamente para o transporte de biodiesel, através da colocação de válvulas e sistema de vedação especial. A Randon mostrará o MegaSider, semi-reboque com vão livre lateral de 3.070 mm, o maior do mercado para a altura do acoplamento ao solo de 1.100 mm. A capacidade volumétrica tem ganho de 5% em relação ao modelo anterior. |