DDR - HERÓI OU VILÃO
Como melhorar a relação entre seguradoras, corretores,
embarcadores e transportadores – sem a cláusula de DDR
Por Pedro Tavares
Herói para alguns, vilão para outros, a conturbada cláusula, ou carta, de DDR, ainda está dando muito o que falar e, enquanto o mercado não encontrar um meio termo, irá alimentar ainda muitas discussões, palestras e cursos (clique aqui e leia mais sobre a história do seguro de Transportes).
Via de regra, a ocorrência de um evento de roubo de carga acaba gerando grandes conflitos entre embarcadores e transportadores. Tais conflitos são extremamente desgastantes, podendo abalar a boa relação comercial até então existente entre as partes.
Em primeira análise, a cláusula de DDR (Dispensa do Direito de Regresso), adotada pelas seguradoras nas apólices de RR (Riscos Rodoviários) trouxe, na prática, uma arrecadação a mais para a carteira de seguros de Transportes em geral.
O presidente da Pool Seguros, Cesar Caiafa, explica como funciona o DDR: “a seguradora faz o seguro de RR (Riscos Rodoviários) para o embarcador com a cláusula de DDR, deixando de exigir o ressarcimento do transportador, em caso de sinistros, desde que ele tenha cumprido todas as regras de gerenciamento ditadas pela seguradora.
.jpg)
|
Por esta prática o transportador também deixa de ter necessidade de contratar os seguros de RCTR-C e RCF-DC daquela carga e daquele embarcador" (clique aqui para saber mais sobre algumas características dos seguros de Transportes).
Cesar considera que a cláusula de DDR aumenta a lucratividade de algumas seguradoras, justamente porque foi uma
|
forma de blindar a carteira, mas no dia-a-dia a situação pode ser bastante prejudicial aos transportadores e para o resultado da carteira de seguros de Transportes em geral.
“No momento em que o transportador tem vários embarcadores com DDRs de diferentes seguradoras, em condições diferenciadas, esse transportador precisa ter diferentes tipos de gerenciamento de risco, o que onera os fretes, além de se tornar impraticável um gerenciamento adequado”, acrescenta Cesar.
De fato, a situação fica bastante complexa porque cada embarcador indica seu gerenciamento de risco e há casos em que, para dois tipos de carga diferentes num só caminhão, são necessários diferentes sistemas de gerenciamento de riscos, que podem ser até incompatíveis para uma mesma viagem.
Ou seja, tudo se tornou mais caro e o risco aumentou porque é mais difícil gerenciar, em um só caminhão, dois tipos de carga, de dois embarcadores distintos com gerenciamentos trabalhando com padrões e parâmetros sem total sincronia no mesmo embarque.
Vale a pena?
Por um lado, a cláusula de DDR é boa pra algumas seguradoras que tinham quantidade maior de embarcadores como segurados, pois passaram a ter maior arrecadação em prêmios.
Mas por outro lado, aquelas companhias com mais transportadores na carteira tiveram uma diminuição do volume de prêmios, por conta das apólices de RR emitidas com as cláusulas de DDR em outras seguradoras.
Além disso, os transportadores convivem com perdas orçamentárias, pois deixaram de cobrar dos embarcadores o valor de “ad valorem”, que seria em tese destinado a cobrir outras despesas com segurança, além do seguro do transporte das cargas (RCTR-C e RCF-DC).
Os problemas para os transportadores não se limitam a esses. Existem dois outros problemas gravíssimos que a grande maioria dos transportadores nem se atentaram ainda. |
|
O primeiro é a redação dessas cartas de DDR. Se analisadas detidamente, podem ser observadas inúmeras brechas para que o transportador seja acionado a ressarcir a seguradora. A mais comum e que invariavelmente chama a atenção dos clientes é sobre o item sobre a isenção de ressarcimento, que não terá efeito se o sinistro tiver sido causado por dolo de sócios, funcionários, ou prepostos dos transportadores.
“Mas o que é o desvio de carga causado pelo caminhoneiro? É um dolo. E sendo a relação do caminhoneiro com a transportadora definida como de preposto, então este tipo de evento seria ressarcido da transportadora”, argumenta Cesar.
A situação fica clara pelo que diz o Art. 8º da Lei 11.442: “O transportador é responsável pelas ações ou omissões de seus empregados, agentes, prepostos ou terceiros contratados ou subcontratados para a execução dos serviços de transporte, como se essas ações ou omissões fossem próprias”.
.jpg) |
O outro grande problema observado é o cumprimento das condições dos seguros de RR pelos próprios embarcadores, pois se ele não cumprir todas as condições do seu seguro (pagamento, averbação, etc), eventual sinistro não terá cobertura, mas os prejuízos continuam existindo.
“E quem vai pagar? Certamente o transportador, pois foi ele quem deu causa e ele tem somente a isenção da seguradora do embarcador, não tem a isenção do próprio embarcador. Como o transportador não contratou seguro de sua responsabilidade, terá que arcar com recursos próprios”, reforça Cesar.
|
E ele alerta: “Quando as perdas são de R$ 50.000,00, ou R$ 100.000,00, os envolvidos fazem “vistas grossas” para esses problemas. Mas será que esta postura será a mesma para uma perda de quinhentos mil, ou um, ou dois milhões?”.
Então, a pergunta que fica no ar é: vale a pena manter a cláusula de DDR?
Uma sugestão da Pool Seguros
De acordo com o Cesar Caiafa, é preciso resolver o problema de imagem de quem cobra mais, quem está onerando o custo das mercadorias, pelo aumento do preço do frete: é o seguro, ou é o transportador que cobra um “ad valorem” maior do que deveria cobrar?
Para tanto, a sugestão dele é que as transportadoras trabalhem com um valor padronizado de “ad valorem-seguro”, que cobriria o seguro em si e outro “ad valorem” para cobrir demais despesas, como o gerenciamento de risco (livremente negociado com seu embarcador).
“Se por acaso a transportadora tivesse descontos no seguro, em virtude do gerenciamento de risco adequado ao longo do tempo, ótimo. Seria o retorno do investimento feito no passado. Outras que não tiveram o mesmo cuidado, que não investiram em equipamentos, nem em gerenciamento de risco, possivelmente teriam de pagar uma taxa superior à seguradora. Nestas circunstâncias não existiria mais 'vilão' nessa historia”, considera Cesar.
Na visão do executivo, seguindo tal cenário, as seguradoras poderiam eliminar o DDR, em conformidade com a operação das transportadoras, de forma a padronizar e regularizar o mercado e haveria uma significativa desburocratização, além de uma melhor administração das ferramentas de gerenciamento de risco.
É uma forma de alcançar justiça nas divisões de responsabilidades e, principalmente, manter a tranqüilidade do consumidor em relação a contratação de seguro para cobertura de todos os seus riscos, eliminando a insegurança atual do mercado.
Os corretores também poderiam trabalhar dentro de um contexto mais organizado e menos complexo, passando mais segurança e transparência a seus clientes.
“Claro que tudo isso depende da convergência de idéias e opiniões para melhorar a atuação e relação entre seguradoras, corretores, embarcadores e transportadores. É trabalhar pelo consenso. Mas se não fizermos algo nesse sentido, os fretes podem ficar mais caros e os riscos cada vez maiores, por absoluta falta de controle eficaz”, conclui Cesar.
|
:: TRANSPORTE & LOGÍSTICA ::
Aumentos de diesel, salários e restrições no trânsito exigem ajustes no frete
A Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC&Logística), por meio da Câmara Técnica de Tarifa e Comercialização (CTTC), realizou reunião no mês de julho... leia mais...
Sem Parar/Via Fácil planeja crescimento com produto para transportadores
Grupo STP desenvolveu serviço online, no qual embarcador pode gerenciar toda a sua entrega
Criado em 2007, o Sem Parar/Via Fácil está galgando espaço para... leia mais...
“Caminhão é transporte coletivo”
O arquiteto Cândido Malta considera que o caminhão deve ser visto no cenário da mobilidade urbana como uma unidade de transporte coletivo.
Leia a opinião do arquiteto e urbanista Cândido Malta Campos Filho... leia mais...
"Não existe perigo de desabastecimento em SP”
Kassab concedeu entrevista exclusiva ao Portal Transporta Brasil e falou sobre a circulação de caminhões em SP.... leia mais...
Trem toma lugar de caminhão em Santos
Duas locomotivas a plenos pulmões arrastam os 73 vagões carregados de grãos até o corredor de exportação, na Ponta da Praia, no porto de Santos (SP).
O apito estridente da máquina vai abrindo caminho por entre carretas e gente... leia mais...
Cetesb multa 219 veículos que emitiam fumaça preta acima do limite SÃO PAULO - Em quatro pontos de fiscalização contra a emissão de fumaça preta, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (a Cetesb) e a secretaria... leia mais...
Doze (12) veículos são autuados na Via Dutra durante blitz de Cargas Perigosas em Itatiaia (RJ)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) com o apoio da NovaDutra (Empresa do Grupo CCR) realizou na data de hoje, 05/8, mais uma blitz preventiva em caminhões... leia mais...
Após restrição, CET multou 30 mil caminhões em SP
Os Veículos Urbanos de Carga (VUCs), com até 6,5 metros de comprimento, têm de respeitar um rodízio que combina dias pares e ímpares de acordo com o final da placa... leia mais...
:: COMÉRCIO EXTERIOR ::
Exportação do Brasil sobe 514% desde 2002 e leva investimentos
A Argentina que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de visitar com uma missão de centenas de empresários é mais que um dos principais parceiros comerciais... leia mais...
Vale teme escassez de minério de ferro por alta demanda da China
As maiores exportadoras mundiais de minério de ferro Vale e Rio Tinto acreditam que a demanda da China manterá apertado o mercado consumidor da matéria... leia mais... |
:: SEGUROS ::
Carona para casa no guincho
Seguradora oferece reboque para motorista que beber demais e dá até lanche no caminho para casa
Motoristas que quiserem voltar para casa, sem abrir mão de tomar... leia mais...
Seguro DPVAT garante indenização às vítimas de acidentes de trânsito
As vítimas de acidentes de trânsito podem requerer, através das seguradoras conveniadas, uma indenização que cobre desde despesas... leia mais...
Seguro residencial é barato e dá tranqüilidade
No último sábado, conforme está sendo noticiado nesta edição do Fato Novo, uma casa foi destruida num incêndio provocado por raio... leia mais...
Seguradoras esperam redução das apólices
Com a diminuição do número de acidentes, provocada pela Lei Seca, empresas do setor prevê queda de 10% a 20% nos seguros de veículos. Sincodiv/DF... leia mais...
Novos Hábitos alteram Perfil
O perfil do proprietário de veículo é um dos itens de avaliação de qualquer seguro, independentemente do modelo do carro. Os cálculos do valor do... leia mais...
:: NOTÍCIAS GERAIS ::
Frota de veículos cresce 8,3% nos últimos 12 meses encerrados em junho
Acompanhando os seguidos recordes das montadoras, também a frota brasileira de veículos dá saltos.
De acordo com números do... leia mais...
Carteira de financiamento de veículos soma quase R$ 130 bilhões
O saldo total das carteiras de financiamento de veículos para pessoa física subiu quase 44%, de R$ 90,4 bilhões em junho de 2007 para R$ 129,8 bilhões no mesmo... leia mais...
Proteção dos pilares da Ponte Rio-Niterói recebe manutenção
A Ponte S.A. realiza serviços de recuperação das defensas dos pilares da Ponte Rio-Niterói e limpeza das placas de sinalização da Ponte Rio-Niterói, nesta quinta-feira. Os motoristas devem... leia mais...
Para especialista, efeito da Lei Seca vai demorar
Desde o início da lei seca, levantamentos já apontam queda no número de acidentes de trânsito. Estes números não significam, no entanto, impacto... leia mais...
:: AGROBUSINESS ::
Produtos básicos garantem exportação recorde
As vendas de produtos básicos para o exterior, como soja, petróleo e carnes ajudaram a garantir o... leia mais...
Exportação do Agronegócio em 12 meses é recorde
O ministério informou que os setores que mais contribuíram para o aumento do valor absoluto das exportações foram o complexo soja, carnes, produtos florestais... leia mais... |
|